Chefe da PF diz que sofreu pressões para não libertar Lula

14 de agosto de 2018 8:32 pm Publicado por

Raquel Dodge e juízes do TRF-4 agiram ilegalmente diante da decisão que concedeu habeas corpus ao ex-presidente.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo publicada neste domingo (12), o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rogério Galloro, disse que sofreu e aceitou pressões da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Thompson Flores, para não cumprir a decisão judicial que concedia habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tomada pelo desembargador Rogério Favreto há pouco mais de um mês.

O diretor da PF afirmou que comunicou ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que acataria a decisão de Favreto para libertar Lula. “Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura. ‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.”

Outro caso de perseguição do Judiciário ao ex-presidente foi divulgado pela revista Veja, que afirmou em nota que o desembargador João Gebran Neto, relator do processo contra Lula no TRF-4, teria assumido a amigos próximos “que ignorou a letra fria da lei ao dar decisão contrária à soltura de Lula, desconsiderando a competência do juiz de plantão.”

O Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou em nota que as revelações do chefe da PF expõem “as entranhas do abuso de autoridade, da violência jurídica, da desfaçatez de quem tem de observar leis e regras e age por conveniência política”.

Parlamentares do PT disseram que irão ingressar com pedido de convocação para que Raquel Dodge se explique no Congresso Nacional sobre a intromissão indevida, assim como cobrarão medidas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o que taxaram de “ativismo judicial administrativo” dos desembargadores Flores e Gebran.

Se as denúncias forem comprovadas, ficará ainda mais evidente a perseguição jurídico-política contra o ex-presidente. O Brasil não pode se transformar em um estado de exceção e conviver cotidianamente com ilegalidades e injustiças.

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Este artigo foi escrito porSintraconCuritiba

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